<$BlogRSDUrl$>

quinta-feira, setembro 01, 2005

Por Outro Lado... 

Mas por outro lado...
Família é uma obrigação. Nenhuma obrigação pode ser aproveitada totalmente visto que é imposta e só depois sujeita a uma boa ou má introjecção. Apesar de amar a minha família mais directa e de estar disposto a sacrificar tudo por esta gente, estou consciente de que me foi imposta e não seleccionada de acordo com quaisquer critérios meus. Parte até da razão pela qual os amo tem a ver com as experiências partilhadas e com traços de personalidade que adquiri a partir de observações do comportamento dos mais velhos, e os mais novos são sempre pequenos projectos de nós e da nossa vivência, por muito que nos pregassemos que viveriam a sua vida independentemente.
Não esqueço também que mesmo que tivesse escolhido a família com que começar, nada me garantia que tivesse sido uma escolha acertada, pelo que, à partida, o sorteio aleatório nem seja tentar a desgraça. O factor caos dá a volta à perfeição.
O fosso dissimulado em respeito entre adultos e crianças mantém à distância a esmagadora maioria de relações equalitárias. Diminuidos, mesmo sem malícia, a família toma outra figura. Uma mais espelhada do sujeito. Menos mística. Mais próxima e empática, sem agora a condescendência jogada por um adulto confuso, ainda que cheio de boa vontade. Amigos e amigas são agora o apoio e modelo.
Os pais sentem-se traídos e abandonados, puxando de volta os bebés que cresceram, conseguindo apenas afastá-los e julgo eu, que só quando o seu puxar se torna imperceptível, voltam de bom grado os jovens adultos, de novo familiarizados com os velhos modelos, conhecedores do mundo, e novos modelos, os conhecedores das vicissitudes do mundo. Uma nova infância. Outra aprendizagem.
Mas que garante há que esta aproximação à vida adulta seja melhor com família que com outro adulto qualquer? A genética aproxima-nos cientificamente. Mas somos muito mais. Somos seres que precisam de mentores. Nem todos os que se reproduzem estão capazes de educar, nem todos os abstémios são incapazes.
A família tem no seu valor absoluto a memória e o passado partilhado. O bem e o mal é irrelevante, ao que parece.

Comments: Enviar um comentário

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

eXTReMe Tracker